17 Agosto 2008
cheiros de verão
nove e meia da noite, temperatura amena, quase não havia vento e em mim entrou o cheiro da adolescência, daquelas noites de experiências. um cheiro nostálgico acompanhado de uma enorme vontade de viver uma noite de verão, como há muito já não vivo.
vontade de ter ali alguém para partilhar, para chegar ao carro e não abrir as portas, simplesmente voltar para trás e entrar na praia. beber algo numa esplanada e depois seguir para a areia. o céu ajuda: lua cheia e nem uma nuvem. milhares de estrelas no céu.
apeteceu-me ter uma noite das antigas com alguém recente.
com alguém que está longe de mim geograficamente e pior ainda, proximamente distante de mim.
[agosto 2008] @ costa nova
14 Agosto 2008
supernova 2
brilho tímido, mas em crescente.
uma nova estrela pequena dos restos da explosão, a brilhar...
[agosto 2008]
confissões dele (às 4 da manhã)
ele não lhe diz quando está nos braços de outra mulher.
ao trata-lo assim, de forma condescendente, só o magoa.
[agosto 2008]
supernova
os problemas são parte integrante de mim, a ideia de tentar resolver todo e qualquer um apenas serve para um gargalhada.
explodir. deixar os problemas de agora para trás, e procurar novos.
alguns antigos voltarão em circunstâncias do acaso, mas para quê perder mais tempo com eles?
pelo menos os novos problemas trazem sentimentos e experiências novas.
[agosto 2008]
26 Julho 2008
Cala a vontade de falar. Liberta más vibrações, vibrações que rasgam a escuridão e a incendeiam.
Não conseguir evitar isto faz-me ter noção que já levantei os pés do chão.
[julho 2008]
13 Julho 2008
olhares interrompidos
Mesmo quando são cortados por gargalhadas e perguntas que acordam os corpos adormecidos do espaço que por momentos habitamos.
O nosso micro mundo não deixa o exterior indiferente. Somos demasiado “pouco sérios” para tal.
Brincamos com o sério e escondemos verdades nas gargalhadas e parvoíces, interrompemos olhares.
E eu vou continuar a sorrir mesmo quando tenha de mentir às perguntas.
[julho 2008]
semáforos despertadores
Sempre que olho apenas vejo vermelho e o amarelo.
O verde escapa sempre ao meu olhar, e com ele o despertador que preciso para deixar as inseguranças de lado.
O amarelo repete-se deixando-me ainda pior na minha balança de dúvidas.
Na noite houve sinais que pareceram mais claros que os semáforos, mas porque apareceram os vermelhos e amarelos da insegurança?
[julho 2008]
21 Abril 2008
tímida sonrisa
pero tu, eres una de muy pocas que, de verdad me encantan.
tu tímida sonrisa brilla mucho para mí.
[abril 2008]
28 Março 2008
música
Sinto as mãos a suar, estou impaciente. Estes momentos dão cabo de mim.
Já são horas, as pessoas já assobiam, a massa está nervosa.
Os dez minutos antes do concerto custam mais a passar que os 10 anos anteriores.
Ver a sala completamente cheia ajuda a um estado de euforia contida. A visão da massa vista do balcão apenas dá vontade de saltar e mergulhar. Sentir a intensidade a todos os níveis.
Respondo com um sorriso de olhos fechados ao arrepio que ela me provoca.
[março 2008]
uma daquelas noites perfeitas
Há dias perfeitos como diz o Lou Reed.
Também há noites perfeitas. De todos os feitios, para todos os gostos; à vontade do freguês.
Uma combinação de factores que há muito não acontecia.
A estrada, as palavras (ditas e por dizer), o silêncio, a música, os sorrisos, o olhar e a chuva.
Adoro a sensação das gotas a descer a cara, do toque frio da chuva no pescoço.
Não consegui dizer nada naquele instante. Acho que era um momento para o silêncio.
23 Março 2008
un día
si, stela bella, quizas un día....
y un día muy cercano quizá...
17 Março 2008
medo
o brilho da tua estrela atrai-me cada vez mais. mas sinto que se transforma numa nova espiral minha.
caminho na direcção em que te escondes, de sorriso na cara, aparentemente sem medo.
mas tenho medo que a frase "now that i've met you, you would object to never see each other again" tenha que surgir...
[março 2008]
24 Dezembro 2007
(des)equilíbrios
induzo-me a um natural maior estado depressivo. fujo das pessoas e das minhas frustrações e más interpretações e reduzo o mundo a quatro paredes. forro as paredes com música enquanto deslizo por esta minha espiral.
procurei em mim sorrisos e não achei. procurei esperança e ri-me de tamanha parvoíce.
a estrela hoje apagou-se. eu apaguei-a.
(mas uma estrela acendeu-se. nas conversas que a noite proporciona, descobri que hoje a esperança brilhou em alguém e a aqueceu. é bom ler e sentir assim as pessoas.
[dezembro 2007]
21 Dezembro 2007
o mundo não gira à tua volta.
se parares o megalómano carrosel circense que montaste em redor de ti, poderás ver que os mundos mantêm-se através das pequenas coisas. essas que ignoras.
equilibrios insensatos que colocas em risco sem ter a noção.
o efeito borboleta não é uma realidade próxima. Mas é uma realidade...
[dezembro 2007]
20 Dezembro 2007
dia cinzento de melancólica harmonia.
dia que foi perdendo os seus objectivos à medida que o tempo passou.
ele, sem propósito e abandonado, encontra sempre uma negação às suas questões, ao seus convites. o mundo fecha-se sobre ele, as oportunides perdem-se.
resta um passeio solitário pelas ruas com a música nos ouvidos. triste e melancólica claro está; ele não quer estragar a harmonia. e ela não o deixa.
[dezembro 2007]
22 Novembro 2007
despedidas ao nascer e ao por-do-sol.
ruas que sem ti não fazem sentido.
silêncios com o teu olhar.
momentos com o teu toque.
despedidas ao nascer e ao por-do-sol.
" When they fly
through the night as beautiful
nighttime birds"
(para a S.)
[20 novembro 2007]
a chuva (sonhos improváveis)
encontro a menina do (bonito) sorriso escondido.
olhar tímido. tão frágil...
até a olhar olhos nos olhos.
tão frágil sou eu então.
olhos com as cores do céu e com a imensidão do mar.
momentos de limbo, de inquietante tranquilidade, de palavras mudas, de desejos reprimidos e sonhos improváveis.
a chuva acompanha o momento. gotas escorrem pela cara na doce troca de palavras.
o céu chora a tristeza do efémero momento. os sorrisos reflectem o calor das palavras.
os compromissos apressam a despedida que forço a não acontecer.
despedimo-nos com tristeza e um sorriso sincero.
volto a caminhar na cidade molhada, com o sorriso dela em mim.
ao contrário do que nos fazem acreditar, a tristeza, tal como a chuva, também é bonita.
(para a menina triste)
[novembro 2007]
19 Novembro 2007
boa viagem
segues o teu caminho. persegues o sonho.
fiquei calado na altura de falar.
deixei passar oportunidades e no que julguei ser a última, engoli em seco na tua ausência.
foste sem saber o dia de amanhã. espero agora que haja um amanhã em que te possa falar e dizer as palavras mudas, olhos nos olhos.
disse apenas boa viagem, com receio que um até já não fosse possível, e negando um adeus, no qual não quero acreditar.
boa viagem, e se a necessidade de voltar surgir, cá estaremos.
até lá, a saudade.
boa viagem amiga! que as estrelas te guiem nas novas descobertas.
[novembro 2007]
