"gotas de vida"
pessoas e momentos fictícios. pseudo-realidades que habitam uma mente.
episódios imaginários transcritos para o mundo material.
lullaby
mantém-se direita, como se morta estivesse. olha pelo seu telhado de vidro. olha o céu, as poucas estrelas.
fecha os olhos. encolhe-se. enrola-se nos seus lençóis em posição fetal. de olhos fechados ouve a chuva a cair. a bater no seu telhado de vidro.
uma paz traz um sorriso à sua cara. uma réstia de calor ao seu corpo. sabe bem. não tanto como um abraço. ou o braço do seu amigo. saudades. de um braço, daquele braço que protegia o seu corpo. abre os olhos. que saudades do seu braço a proteger o corpo do seu amigo. o calor de 2 estrelas que se tocavam.
olha novamente para cima. o céu está lindo nessa noite. algumas estrelas brilham timidamente escondidas pelas nuvens.
ela nunca tinha reparado nestas tímidas estrelas. talvez por mero acaso, ou talvez por o tímido brilhar ser ofuscado pelo brilho das estrelas que nada temem, aquelas que aparecem em primeiro plano.
mas timidamente lá estão, brilhado por entre as nuvens que a lua ilumina.
a chuva cai. de forma ritmada...
ela levanta-se abre a janela. sente o cheiro da terra húmida do jardim. sente o vento nas folhas. com os olhos fechados levanta a cabeça e em silêncio sente as gotas de chuva a escorrer pela cara.
uma solene procissão pela sua pele. primeiro o toque, e o arrepio da frieza da gota. depois o delizar pela cara, até ao pescoço e a lenta descida para o peito embrulhado apenas numa t.shirt. a gota continua fria e o contraste com os seus seios quentes trazem um sorriso mais aos lábios. repetidamente gotas e mais gotas buscam a sua cara. para uma dança. entre a natureza e ela. ela sorri... leva os dedos à cara e sente a cara molhada pela chuva. o cheiro na natureza, a chuva, o corpo, a noite, o céu...
abre os olhos. fecha a janela e dirige-se para a cama.
num ápice desfaz a cama, vira o colchão, arranca os lencóis, atira a almofada contra a parede. e pára, pára para escutar a música.
enrola-se nos lençóis e aninha-se no colchão. deixa-se ficar imóvel a olhar o seu telhado de vidro.
sorri. ouve a chuva, a melodia da paz.
fecha os olhos e ouve. ouve, até adormecer...
[fevereiro 2006]
1 comentário:
gosto*
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