25 julho 2006

a cidade dos dois nomes

muda voz da consciência grita
para me lembrar do que não quero esquecer
para me lembrar que o sangue corre ainda quente
por aquela calçada, aquela arquitectura, aquelas árvores.

tudo muda a noite.
o anestésico efeito do dia termina quando o sol se põe
e aquele caminho ganha o sentido com que nasceu,
fora de todo o trânsito, de todo o barulho citadino e pessoas...
apenas resta a pessoa, a noite e a madrugada.

deambular perdido
com vozes que me chamam a mudar de direcção
a passar por onde a alma mais sangue derramou
na negação do toque.
a resistência nem sempre é possível, mesmo na consciência do impedimento da paz.

na inconsciência do disparatado caminho,
de 3 amigos em discussão alimentada por álcool e risos,
a dor aparece
e faz tudo para que não seja esquecida. faço tudo para não a esquecer...

estou preso.
preso a uma cidade que têm dois nomes.
a várias ruas que desconheço o nome, mas reconheço o sentimento.
e neste agradável cinzento clarear do dia
continuo preso
continuo apaixonado por esta cidade.
[maio 2005]

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