muda voz da consciência grita
para me lembrar do que não quero esquecer
para me lembrar que o sangue corre ainda quente
por aquela calçada, aquela arquitectura, aquelas árvores.
tudo muda a noite.
o anestésico efeito do dia termina quando o sol se põe
e aquele caminho ganha o sentido com que nasceu,
fora de todo o trânsito, de todo o barulho citadino e pessoas...
apenas resta a pessoa, a noite e a madrugada.
deambular perdido
com vozes que me chamam a mudar de direcção
a passar por onde a alma mais sangue derramou
na negação do toque.
a resistência nem sempre é possível, mesmo na consciência do impedimento da paz.
na inconsciência do disparatado caminho,
de 3 amigos em discussão alimentada por álcool e risos,
a dor aparece
e faz tudo para que não seja esquecida. faço tudo para não a esquecer...
estou preso.
preso a uma cidade que têm dois nomes.
a várias ruas que desconheço o nome, mas reconheço o sentimento.
e neste agradável cinzento clarear do dia
continuo preso
continuo apaixonado por esta cidade.
[maio 2005]
Sem comentários:
Enviar um comentário