28 julho 2006

elefante equilibrado em sediela

o céu está limpo. vejo as estrelas. antes de sair de casa as nuvens tapavam completamente toda e qualquer uma.
todas olham agora para mim. compaixão, apoio ou apenas gozo e humilhação?
o metal corre nas veias secas. o poder do baixo faz tremer as pernas, o melódico som cortante da guitarra faz com que as vertebras se arrepiem e me provem que estou (ainda) vivo.
por baixo de mim a máquina ruge. acelero ainda mais. quero sentir o vento frio a entrar no carro.
a lua em quarto minguante não é nada mais que apenas um singelo corte de bisturi no manto da noite.
hoje não me oportunas, digo-lhe. as noites que conversámos, as vezes que me abandonaste, hoje nada interessam. hoje nada és, apenas um pequeno corte no céu.
estou-me nas tintas para a lua, ela hoje é insignificante. hoje sou maior, hoje sou nada.
com a música, o asfalto e o vento surge algo novo.
uma vontade de rebentar as entranhas. uma vontade de vomitar pelos olhos o grito que impeço que se solte.
as estrelas olham-me. a lua puxa para si uma nuvem para se esconder. a noite está amena. sinto o cheiro da natureza. vejo pirilampos na relva.
o grito ajuda na multiplicação de personagens dentro do mesmo corpo. uma das personagens dividiu-se em duas. uma que quer gritar e outra que finge que o grito não existe para poder viver no seu universo.
as estrelas, os pirilampos e eu.

as estrelas no céu, os pirilampos na relva. e eu... sem luz alguma, no limbo.
Tal e qual um elefante equilibrado em sediela...

[julho 2006]

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