26 julho 2008

E por vezes uma frase apenas muda tudo.
Cala a vontade de falar. Liberta más vibrações, vibrações que rasgam a escuridão e a incendeiam.
Não conseguir evitar isto faz-me ter noção que já levantei os pés do chão.


[julho 2008]

13 julho 2008

olhares interrompidos

Existem sorrisos que se impõem.
Mesmo quando são cortados por gargalhadas e perguntas que acordam os corpos adormecidos do espaço que por momentos habitamos.
O nosso micro mundo não deixa o exterior indiferente. Somos demasiado “pouco sérios” para tal.
Brincamos com o sério e escondemos verdades nas gargalhadas e parvoíces, interrompemos olhares.
E eu vou continuar a sorrir mesmo quando tenha de mentir às perguntas.


[julho 2008]

semáforos despertadores

Olho bastantes vezes para os semáforos despertadores.
Sempre que olho apenas vejo vermelho e o amarelo.
O verde escapa sempre ao meu olhar, e com ele o despertador que preciso para deixar as inseguranças de lado.
O amarelo repete-se deixando-me ainda pior na minha balança de dúvidas.
Na noite houve sinais que pareceram mais claros que os semáforos, mas porque apareceram os vermelhos e amarelos da insegurança?

[julho 2008]

21 abril 2008

tímida sonrisa

hay muchas chicas que me gustan.
pero tu, eres una de muy pocas que, de verdad me encantan.
tu tímida sonrisa brilla mucho para mí.


[abril 2008]

28 março 2008

música

Sinto as mãos a suar, estou impaciente. Estes momentos dão cabo de mim.
Já são horas, as pessoas já assobiam, a massa está nervosa.
Os dez minutos antes do concerto custam mais a passar que os 10 anos anteriores.

Há estados de êxtase que só a música proporciona. Há músicas que superam o estado humano, existem momentos de comunhão entre o palco e a massa. Notas que sabe bem ouvir de olhos fechados no meio da multidão.

Ver a sala completamente cheia ajuda a um estado de euforia contida. A visão da massa vista do balcão apenas dá vontade de saltar e mergulhar. Sentir a intensidade a todos os níveis.

A música toca-me, vibra em mim, enche-me.

Respondo com um sorriso de olhos fechados ao arrepio que ela me provoca.

O tempo pára em momentos destes. Somos alguém diferente durante estes momentos, alguém mais puro, alguém melhor.


[março 2008]

uma daquelas noites perfeitas

Há dias perfeitos como diz o Lou Reed.
Também há noites perfeitas. De todos os feitios, para todos os gostos; à vontade do freguês.


Ontem foi uma noite perfeita.
Uma combinação de factores que há muito não acontecia.
A estrada, as palavras (ditas e por dizer), o silêncio, a música, os sorrisos, o olhar e a chuva.

Gosto de saber que em noites perfeitas as minhas imperfeições, os erros e as inseguranças estão sempre presentes; faz-me ter a certeza que as noites são reais, e não apenas fruto da minha imaginação.


É incrível a sensação de andar com um sorriso parvo estampado na cara e sentir a chuva a tocar a pele.
Adoro a sensação das gotas a descer a cara, do toque frio da chuva no pescoço.
Abriste, muito levemente, as mãos ao céu e sentiste à tua maneira aquela chuva.
Não consegui dizer nada naquele instante. Acho que era um momento para o silêncio.




Ontem foi uma daquelas noites perfeitas, com a companhia perfeita.

Obrigado.


[março 2008]

23 março 2008

un día

"quizas un dia volveremos a vernos."

si, stela bella, quizas un día....
y un día muy cercano quizá...

17 março 2008

medo

a cada dia que passa a curiosidade começa a deixar entrar o medo.
o brilho da tua estrela atrai-me cada vez mais. mas sinto que se transforma numa nova espiral minha.
caminho na direcção em que te escondes, de sorriso na cara, aparentemente sem medo.
mas tenho medo que a frase "
now that i've met you, you would object to never see each other again
" tenha que surgir...

[março 2008]

24 dezembro 2007

(des)equilíbrios

induzo-me a um natural maior estado depressivo. fujo das pessoas e das minhas frustrações e más interpretações e reduzo o mundo a quatro paredes. forro as paredes com música enquanto deslizo por esta minha espiral.
procurei em mim sorrisos e não achei. procurei esperança e ri-me de tamanha parvoíce.
a estrela hoje apagou-se. eu apaguei-a.


(mas uma estrela acendeu-se. nas conversas que a noite proporciona, descobri que hoje a esperança brilhou em alguém e a aqueceu. é bom ler e sentir assim as pessoas.
confesso também o meu egoísmo: também é bom saber que nossa escuridão vemos uma estrela que gostamos a brilhar ao longe.)


[dezembro 2007]

21 dezembro 2007

o mundo não gira à tua volta.

se parares o megalómano carrosel circense que montaste em redor de ti, poderás ver que os mundos mantêm-se através das pequenas coisas. essas que ignoras.
equilibrios insensatos que colocas em risco sem ter a noção.
o efeito borboleta não é uma realidade próxima. Mas é uma realidade...


[dezembro 2007]

20 dezembro 2007

dia cinzento de melancólica harmonia.
dia que foi perdendo os seus objectivos à medida que o tempo passou.
ele, sem propósito e abandonado, encontra sempre uma negação às suas questões, ao seus convites. o mundo fecha-se sobre ele, as oportunides perdem-se.
resta um passeio solitário pelas ruas com a música nos ouvidos. triste e melancólica claro está; ele não quer estragar a harmonia. e ela não o deixa.

[dezembro 2007]

22 novembro 2007

despedidas ao nascer e ao por-do-sol.

noites que têm o teu nome.
ruas que sem ti não fazem sentido.
silêncios com o teu olhar.
momentos com o teu toque.

despedidas ao nascer e ao por-do-sol.

"
When they fly
through the night as beautiful
nighttime birds
"

(para a S.)

[20 novembro 2007]


a chuva (sonhos improváveis)

caminho pela cidade molhada, pintada com cores neutras (tristes dirão alguns).
encontro a menina do (bonito) sorriso escondido.
olhar tímido. tão frágil...
até a olhar olhos nos olhos.
tão frágil sou eu então.
olhos com as cores do céu e com a imensidão do mar.
momentos de limbo, de inquietante tranquilidade, de palavras mudas, de desejos reprimidos e sonhos improváveis.
a chuva acompanha o momento. gotas escorrem pela cara na doce troca de palavras.
o céu chora a tristeza do efémero momento. os sorrisos reflectem o calor das palavras.
os compromissos apressam a despedida que forço a não acontecer.
despedimo-nos com tristeza e um sorriso sincero.
volto a caminhar na cidade molhada, com o sorriso dela em mim.
ao contrário do que nos fazem acreditar, a tristeza, tal como a chuva, também é bonita.

(para a menina triste)


[novembro 2007]

19 novembro 2007

boa viagem

segues o teu caminho. persegues o sonho.
fiquei calado na altura de falar.
deixei passar oportunidades e no que julguei ser a última, engoli em seco na tua ausência.
foste sem saber o dia de amanhã. espero agora que haja um amanhã em que te possa falar e dizer as palavras mudas, olhos nos olhos.
disse apenas boa viagem, com receio que um até já não fosse possível, e negando um adeus, no qual não quero acreditar.
boa viagem, e se a necessidade de voltar surgir, cá estaremos.
até lá, a saudade.
boa viagem amiga! que as estrelas te guiem nas novas descobertas.

(para a A.)

[novembro 2007]

15 outubro 2007

momentos

há momentos, em que a estrada é a solução, e a música e a solidão as melhores companheiras.

[outubro 2007]

03 setembro 2007

pontes de sombras

separados por cortes que cimentam as nossas diferenças e os nossos mundos, imaginamos pontes feitas de sombras, que nos levam ao nosso cantinho nos sonhos onde ninguém nos incomoda.

(pontes de sombras)

[setembro 2007]

01 setembro 2007

telemóvel

olho o telemóvel e questiono-me se ele se tornou numa prótese, ou até mesmo um apêndice, da nossa comunicação e dos nossos sentimentos.

[agosto 2007]

silêncios 2

lembro-me de ti com bastante frequência. deixaste em mim uma magia, que por vezes preferia conseguir afastar de mim.
lembro-me de ti e quero falar-te, dizer-te pelo menos que penso em ti.
pego no telemóvel... mas desisto.
o simples pensamento da indiferença, ou da inquietude do silêncio da tua (ausente) resposta faz-me desistir.

(esta é provavelmente a forma mais segura de te falar. um dos poucos cantos onde, expostos ao mundo e no meio de muitos, conversamos só entre nós. se leres isto, aqui te digo: penso em ti, m.)

[agosto 2007]

silêncios 1

ontem, na noite, vi caras que te são familiares. procurei-te entre a multidão, mas não te vi...

[agosto 2007]

filmes das nossas vidas

existem (bons) momentos que nem um (muito) mau filme consegue estragar.

(por favor, não vejam o filme "Caçador de Sonhos". este aviso é um favor que vos faço)

[setembro 2007]