estou aqui. só. dentro da tenda.
o que vem de fora embala-me. o som da chuva. o som da guitarra da tenda ao lado.
o rapaz pediu-me um cigarro, não lhe dei pois as minhas dependências são o álcool e a música. e se com o álcool consigo alcançar com sucesso algumas (poucas) abstinências, já com a música é uma causa perdida. estou completamente afogado na depedência e luxúria das vibrações sentimentais.
sinto-me culpado. escuto a sua música. pior que isso sinto-a e ela faz-me sentir bem.
a tenda é enorme. é enorme neste cocktail (quase) perfeito: música e natureza.
mas falta algo, a cereja. faltas tu. alguém...
alguém para partilhar os decibeis dos palcos e o arrepio da chuva de uma forma mais próxima do que com a restante massa amante de música.
alguém para voltar à tenda e abraçar, beijar. alguém que me seque o corpo enquanto eu tiro a tua roupa encharcada. alguém para na secura da tenda sentir e tocar e dançar ao ritmo da chuva. alguém para depois de secos e quentes e íntimos, sair da tenda e gritarmos à chuva. dançar e gritar à chuva agradecendo a dávida da natureza e da música. dançar para nos festejarmos.
faltas tu. alguém. aqui...
alguém para abraçar e adormecer.
a tenda é enorme. e enorme será... pois não estás aqui.
tu. alguém...
[agosto 2006]
1 comentário:
(só para dizer que me mudei, para aqui. *)
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