04 agosto 2006

sinto a areia

Sinto a areia. Por baixo de mim, sinto-a nas mãos, nas pernas e na cabeça.
Sinto-a. Por cima de mim. Ela empurra-me contra areia.
A areia, intromete-se na troca de carícias.
Ali estamos, a praia é nossa por breves instantes, apenas nossa.
Toda aquela areia parece fazer parte de nós durante aqueles momentos. O mar canta para nós, para nos embalar. O ritmo das ondas acompanha o ritmo da dança dos dois corpos, um contra o outro, um para o outro…
Toco na areia enquanto me tocas… sinto-a, como te sinto a ti… sabe bem. Pequenos grãos de areia a escorregar pela mão enquanto deslizas por mim, sobre mim…
Ao longe o céu começa a clarear, a praia continua deserta, especialmente para nós.
Beijos impuros, carregados do teu sabor a tabaco e do meu sabor a álcool… impuros como nós…
Agarro-te… olho-te e começo a dançar sobre ti, viajo em ti… sinto-te e faço-me sentir…
O mar canta, marca o ritmo e nós dançamos, um com o outro, um no outro…
Na pressão interior e na contracção dos corpos suados e cansados solta-se o grito mudo de um abraço e um beijo…
Já é dia. A praia já não está deserta. Alguns dos seus habituais já se cruzam connosco na nossa caminhada para um regresso há muito celebrado e repetido.
Já é dia. A praia já não é nossa.


[agosto 2006]

1 comentário:

éme disse...

nos meus olhos choveu, apos a leitura.... nao ha palavras. [*]!