"don't stay, run away" canta ele...
f...
Sinto as mãos a suar, estou impaciente. Estes momentos dão cabo de mim.
Já são horas, as pessoas já assobiam, a massa está nervosa.
Os dez minutos antes do concerto custam mais a passar que os 10 anos anteriores.
Ver a sala completamente cheia ajuda a um estado de euforia contida. A visão da massa vista do balcão apenas dá vontade de saltar e mergulhar. Sentir a intensidade a todos os níveis.
Respondo com um sorriso de olhos fechados ao arrepio que ela me provoca.
Há dias perfeitos como diz o Lou Reed.
Também há noites perfeitas. De todos os feitios, para todos os gostos; à vontade do freguês.
Uma combinação de factores que há muito não acontecia.
A estrada, as palavras (ditas e por dizer), o silêncio, a música, os sorrisos, o olhar e a chuva.
Adoro a sensação das gotas a descer a cara, do toque frio da chuva no pescoço.
Não consegui dizer nada naquele instante. Acho que era um momento para o silêncio.
induzo-me a um natural maior estado depressivo. fujo das pessoas e das minhas frustrações e más interpretações e reduzo o mundo a quatro paredes. forro as paredes com música enquanto deslizo por esta minha espiral.
procurei em mim sorrisos e não achei. procurei esperança e ri-me de tamanha parvoíce.
a estrela hoje apagou-se. eu apaguei-a.
(mas uma estrela acendeu-se. nas conversas que a noite proporciona, descobri que hoje a esperança brilhou em alguém e a aqueceu. é bom ler e sentir assim as pessoas.
[dezembro 2007]
se parares o megalómano carrosel circense que montaste em redor de ti, poderás ver que os mundos mantêm-se através das pequenas coisas. essas que ignoras.
equilibrios insensatos que colocas em risco sem ter a noção.
o efeito borboleta não é uma realidade próxima. Mas é uma realidade...
dia cinzento de melancólica harmonia.
dia que foi perdendo os seus objectivos à medida que o tempo passou.
ele, sem propósito e abandonado, encontra sempre uma negação às suas questões, ao seus convites. o mundo fecha-se sobre ele, as oportunides perdem-se.
resta um passeio solitário pelas ruas com a música nos ouvidos. triste e melancólica claro está; ele não quer estragar a harmonia. e ela não o deixa.
[dezembro 2007]