um dia intenso.
caminho agora, calmamente, pelas ruas que adormecem aos poucos.
caminho com certeza que o meu próximo passo será o descanso. ainda tenho o sabor do vinho nos lábios e o seu calor em mim. um sabor forte, cheio, rico...
ao contrário de mim... hoje sou vazio. hoje sou cheio. estou cansado. o dia foi duro. inúmeras mini-viagens entre as pequenas casas de sabedoria infantil.
corridas contra o tempo (e para quê?). ansiedades.
ansiedades que terminam na noite.
sentado de olhos fechados, a ouvir uma voz como o vinho: forte, cheia e rica. uma voz como o vinho e que o vinho tão bem acompanha. a voz da menina encanta. e arrepia. faz sentir a vida dentro de nós. aquela que às vezes até nós esquecemos que existe.
mas faltou algo. faltou um pouco mais da sua voz. faltou a voz nua e crua, sem a metálica ressonância portuguesa, ou o corpo cheio de som forte e grave acompanhado pelas crescentes intermitentes batidas.
da música recomfortante saio para o frio da noite. o silêncio da noite e o seu frio fazem-me bem. acompanham bem a minha condição de solitário.
mas não me protege de ser estúpido. e pior ainda, de ser estúpido para quem não o merece.
sofrer e fazer sofrer, linha básica da minha (nossa) natureza.
agora caminho com remorsos. mas não sou capaz de dizer nada, tal como na altura não fui.
caminho ainda com a música a ecoar nos ouvidos e o vinho a temperar os lábios.
caminho só, em direcção a casa. só e calado.
talvez amanhã acorde a saber sorrir e a pedir desculpa...
[dezembro 2006]
1 comentário:
bonito
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