21 dezembro 2006

no silêncio

Por momentos abandono-me e olho-me através do mundo que me rodeia e que há já muitos anos venho a rejeitar.
Olho-me e sou uma máscara. Contorno-me e apenas vejo o verso da máscara.
Agora sei, mais uma vez, que sou uma máscara.
Tu tocas-me. Volto a mim.
Olho-te com o olhar sério da máscara, olhar que ignoras. Esticas os braços até mim. Estremeço ao sentir a leveza dos teus dedos na minha máscara.
Lentamente, com a suavidade com apenas tu tens, tiras-me a máscara e olhas-me nos olhos. Não nos olhos sérios e frios da máscara, mas sim nos olhos envergonhados da pessoa que tu, como poucos, conheces.
Digo-te olá, no meu tom trapalhão de pessoa inadaptada.
Através do silêncio, trocamos sorrisos e um abraço.
De repente vários corpos se aproximam ao espaço por nós alugado naquele momento.
Com o silêncio, empurro-me para longe.

Imediatamente ponho a minha máscara.
O mundo decorre. E o meu também. Acompanha o vosso.
Olhas-me no silêncio e nele me afasto, rumo às minhas viagens solitárias.
No silêncio te sorrio e abraço; no silêncio me afasto.
Um até fica no ar. Por mais perto ou longe que estejamos, sabes sempre onde me encontrar, sem máscaras, apenas eu.
Até...

(à amizade)

[dezembro 2006]

2 comentários:

éme disse...

eu sempre admiti que uso máscaras... preciso de silêncios.

Anónimo disse...

malditas (em parte) máscaras.

malditas.




[já te desejei bom ano? pois não. e já te disse que me refastelei à lareira a ver alguns episódios de six feet under graças a ti? :) pois também não!] *