09 outubro 2006

gotas de vida - o comboio

gotas de vida
pessoas e momentos fictícios. pseudo-realidades que habitam uma mente.
episódios imaginários transcritos para o mundo material.

Empacotado na lata de sardinhas móvel a electricidade, sento-me confortavelmente.
A Ani DiFranco (en)canta-me.
A menina da voz rouca e a menina dos olhos verdes e profundos falam. Tenho que aumentar o volume para abafar as baboseiras que dizem.
No banco oposto em frente ao meu está uma menina de azul-turquesa (sim, sei o que é azul-turquesa) cujos olhos encantam. Não são verdes como os da menina na minha frente, são escuros mas têm vida. Causam em mim um magnetismo (que eu gosto). Em frente a ela, uma menina bonita, mesmo bonita. Figura esguia, vestida de tons escuros, com umas meias às riscas de tons laranja. Fascinou-me, ainda mais que os olhos grandes e magnéticos da menina de azul-turquesa. É bom encantarmo-nos assim, na ocasião, são encantamentos de circunstância. Mas muito deles não saem da cabeça. Gosto de ser assim. De me deixar encantar com a facilidade com que uma criança sorri.
Gosto de viver com a cabeça no ar, no mundo da lua, como muitos dizem. Gosto de encontrar todas aquelas personagens, com quem talvez nunca falarei, mas sei que troquei um sorriso ou um olhar. E às vezes mais não é preciso.
Perco noção do tempo enquanto divago por mim e em mim.
As meninas das baboseiras vão sair, chegou a estação delas. Agradeço, apesar daqueles olhos verdes e profundos (uma verdadeira tentação), pois agora as probabilidades de ouvir baboseiras diminuíram. (mas o caminho ainda nem a meio vai...)
A menina bonita também vai sair. Troco o último olhar e o primeiro correspondido.
É curioso como imaginamos vidas enquanto andamos de comboio. Apenas através de uam expressão.
A menina de azul-turquesa de olhar magnético parece triste, cansada. Alguém ou algo a terá magoado? (o alguém vem sempre primeiro, faz parte da nossa natureza magoar e ser magoados) Ou voltará a casa para o fim-de-semana prolongado que hoje começa? Possivelmente cansada após uma noite de excessos?

Quem sabe?... mas também, quem se interessa?

1 comentário:

Anónimo disse...

Tenho saudades de andar de transportes públicos. Encontram-se mundos fascinantes neles por vezes.

Ani di Franco também me encanta. :)